Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Re intervenções


RE INTERVENÇÕES

1
nesse muro há duas cores
a que você me olha
e a do meu olho

2
nesse mundo há dois acordos
o que você acorda
e o que eu escolho

3
nesse fundo há dois poços
o escuro que dura
e o que brilha a ouro

4
nesse fosso há duas flores
o lírio que arrisca
e o fundo que ecoa

5
nesse corpo há duas dores
a que o osso disfarça
e a que a alma rechaça

6
nesse retrato há dois tratos
o que eu finjo que faço
e o que faço pouco caso

domingo, 26 de fevereiro de 2012

double fantasy



a espiral que a gente entra é blindada por uma nuvem de chumbo pesada
se irradia dia é de noite fantasma se sombra irradia é o brilho da arma
que nos faz dar esse tiro no escuro sua luz é barulho eu escuto
o silêncio de grito e de luto a fumaça da bala: m. d. chapman
vem cá fazer o som, john vem cá fazer o som, john
vem cá fazer o som, john vem cá fazer o som, john
estrela leva pra london riff mama-go-home
les paul gibson

a desculpa do covarde é espelho faz amar o que não é verdadeiro
apanhador em campo santo e centeio o preço é o meio e o meio é o fim
nunca mais vou acreditar no que leio nunca mais vou acordar desse jeito
(vem cá fazer o som, john) eu tenho tudo menos medo

eu tenho tudo menos medo

sábado, 28 de janeiro de 2012

puro aço luminoso



a canção iluminada de sol
sobre telhados despedaçados
tinha o peso necessário
para flutuar em berços
aéreos:
direções improváveis
destinos imprevisíveis

a versão impregnada de sol
através de nuvens carregadas
tinha o mesmo itinerário
de estranhos sentidos
aéreos:
aversões retornáveis
alusões reversíveis

sábado, 19 de dezembro de 2009

Weiß in Weiß

quero tatuar meu cotovelo
com o quadro negro sobre fundo branco
quero tatuar meu cotovelo
com o quadro branco sobre fundo branco
Ich tätowiert Ellbogen
die Tafel auf einem weißen Hintergrund
Ich tätowiert Ellbogen mit dem Weiß in Weiß

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

deixem-me ir preciso andar

o sucesso a perda e a perda de sucesso
a morte nos trai trágica e patética (pathos)
ansiosos pra exorcizar essa possibilidade da morte
narcisos em moon walk olhando pra frente
cabeça rodada like linda blair do exorcista
a televisão é o espelho de narciso
pego o controle remoto fálico e o fabrico
um grande não para esse pathos
e um grande sim para o ilícito
e a fátima bernardes fala enfática do enfim ao início
michael jackson morre mais ainda
tipo campari, só ele é assim
morto-vivo como sempre insepulto
morre mesmo o padecimento
what’s the matter black or white
deixa-me ver o sol propofol antes de um outro comercial
transposta a ordem das razões e matizes
de preto e cinza e mogno e ouro e luva 
de brilhantes foscos na chuva falsa
ebony ivory vitiligo
insepultos ligo todos ao sedoso
pancake número dois o mais claro e caro
aquele da victoria secrets
caixão de ouro mago 
arcano maior primeiro
magno morno
mogno magro másculo moído
dançarino, rodopiante
éticas veiculadas pela apresentadora 
tipo mãe do filho do micky jagger
e do mickey mouse

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sterne


Wann aber sind wir? Und wann wendet er
an unser Sein die Erde und die Sterne?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Gib mir einen Grund für die Liebe Sie
Gib mir einen Grund zu ... eine Frau
Ich möchte nur eine Frau

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Despiciendo-me

despiciendo-vous despiciendo-me 
little pieces of my broken heart
herz hertz heart hering
kimera kimira kimora kimura
hahaha hohoho ela tem é uma só

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A revolução dos bichos

.
.
.
pérolas
porcos
influenza
.
.
.
.

Rilke

.
.
.
wir sind die treibenden
aber den schitt der zeit,

nehmt ihn als kleinigkeit
im immer bleibenden.
alles das eilende
wird schon vorüber sein;
denn das verweilende
erst weiht uns ein
knaben, o werft den mut
nich in die schnelligkeit
nich in die flugversuch
alles ist ausgeruht
dunkel und helligkeit
blume und buch
.
.
.

a nós, nos cabe andar
mas o tempo, os seus passos,
são mínimos pedaços
do que há de ficar
é perda pura
tudo o que é pressa;
só nos interessa
o que sempre dura
jovem, não há virtude
na velocidade
e no vôo, aonde for
tudo é quietude:
escuro e claridade
livro e flor


(trad. Augusto de Campos)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Linda blair head spin


É que pra mim não dá mais,
só te lembro sorrir
quando a luz te apagou no bar
eram três da manhã e a maçã desbotou
ao pavor do seu head out bleed
espiral de atenção redenção corporal
dowsed in mud and soaked in bleach
and the devil said unto him,
all this power will I give thee,
and the glory of them: for that

linda blair head spin sacre coeur mère de dieu
frances bean soaked in bleach lucifer leitmovit
linda blair linda blair!
linda blair head spin sacre coeur mère de dieu
frances bean soaked in bleach linda blair linda blair!

and the devil said unto him,
all this power will i give thee,
and the glory of them:
for that is delivered unto me;
and to whom i will i give
and to whomsoever i will i give it
(and I will give up too)

get behind me get behind me
get behind me go go go go go go!

linda blair head spin sacre coeur mère de dieu
frances bean soaked in bleach linda blair linda blair!
linda blair head spin sacre coeur mère de dieu
frances bean soaked in bleach linda blair linda blair!

get behind me get behind me
get behind me go go go go go go

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Revisitação

Cidade, por que me persegues? Com os dedos sangrando já não cavei em teu chão os sete palmos regulamentares para enterrar meus mortos? Não ficamos quites desde então? Por que insistes em acender toda noite as luzes de tuas vitrinas com as mercadorias do sonho a tão bom preço? Não é mais tempo de comprar. Logo será tempo de viajar para não se sabe onde. Sabe-se apenas que é preciso ir. De mãos vazias. Em vão alongas tuas ruas como nos dias de infância com a feérica promessa de uma aventura a cada esquina. Já não as tive todas? Em vão os conhecidos me saúdam do outro lado do vidro desse umbral onde a voz se detém interdita entre o que é e o que foi. Cidade, por que me persegues? Ainda que eu pegasse o mesmo velho trem, ele não me levaria a ti, que não és mais. As cidades, sabemos são no tempo, não no espaço e delas nos perdemos a cada longo esquecimento de nós mesmos. Se já não és e nem eu posso ser mais em ti, então que ao menos através do vidro, através do sonho, um menino e sua cidade saibam-se afinal intemporais, absolutos. (José Paulo Paes)