terça-feira, 8 de setembro de 2015

Insone

Se você lembrasse do que eu lembro talvez me desse um alento. Se você lembrasse mais ainda do que eu não lembro poderia me explicar melhor essas teorias que eu tenho quando acordado. Guarda-chuvas do self.

domingo, 6 de setembro de 2015

Jonas Lima (baixo). Cambuquira-MG, 2007

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O mar serenou

só tenho nas mãos o que eu posso ter
o resto não é meu ou sou eu mesmo
misturado no invisível do ar pós Atlântida 
somado na equação quântica dos impulsos
Steiner queria Decartes lido
Kant queria queria Hume num cântico 
que operasse o inverso da sereia grega   

guarda-chuvas do self 

domingo, 30 de agosto de 2015

Senhor F

Matéria: Revista senhorF (Lafaiete Junior) publicado em 2008

O universo é paralelo; a Paralaxe também.

Imagine uma cena em que um casal de pais conservadores é questionado, pela filhinha de quatro anos, a respeito do modo pelo qual ela veio ao mundo, como ela foi “produzida”. Já que a própria garotinha não acredita na tal da cegonha. Agora imagine a cara desse casal arquitetando uma possível resposta. Então, é praticamente desse mesmo jeito que muita gente fica ao tentar decifrar o tipo de som que a Paralaxe faz. A banda consegue realizar uma música bem peculiar, e isso não é exagero. Ela parece caminhar em um universo paralelo da música produzida por ai. O som é um misto de pop mais rock mais elementos eletrônicos mais letras com imagens fortes mais uma pancada de referências à cultura pop, cosmologia, arte, enfim, à vida. Seja ela qual for, terráquea ou marciana. Só mesmo escutando para se ter uma idéia. Paralaxe é um dos bons nomes representantes da nova safra musical de Belo Horizonte, mas o som é universal. Principalmente pelas letras que causam espanto e curiosidade. Alguns dizem que para escutar os discos seria preciso ficar com uma janela do Google aberta para procurar pelas citações e toda a gama de informações ali presentes. Isso também não é exagero. E mesmo com tanta informação, as músicas não se tornam herméticas. Pelo contrário, proporcionam curiosidade ao ouvinte. Funcionam como saudosas aulas de cultura pop e seus personagens mais estranhos, adorados, detestados, desconhecidos, etc. Mas não pense que esses personagens são meras figuras que estão do outro lado do mundo e não fazem parte do nosso mundinho real. Nós somos retratados nas letras da Paralaxe sim! O seu vizinho psicopata está lá, a babá que veio do interior, seu amigo estranho, enfim, todo mundo. Como “Clubber do Milharal”, história de uma garota que organizava raves no interior de Minas; “Retrato”, recortes e versos de Hendrix transportados para Saturno; “Acho que Passei do Tempo”, no qual um indivíduo faz a barba até sangrar para esconder-se do tempo que passou. Além de “Bin Laden é o Bruce Wayne”, que versa sobre... bem o nome já fala por si só; “Catch a Rising Star”, um épico contemporâneo de uma tal mulher que sai do interior em direção a um grande centro urbano; “Juliano Doido”, um atordoado conhecido da escola; entre tantas outras pérolas musicais espalhadas pelos dois trabalhos da banda, “Paralaxe” (2005) e “Under Pop Pulp Fiction” (2007). Os dois álbuns lançados contam com a formação de Fredhc (vocal e programações) e Rafael Carneiro (guitarra, baixo e teclado). Agora completam a trupe João de Deus Jr. (teclados e synths) e Giovanni Duarte (bateria), que fazem parte da transição da banda de um formato mais eletrônico para um mais “orgânico”. E o resultado dessa transição é um novo disco, em fase de pré-produção, com previsão de lançamento ainda em 2008. E enquanto o novo álbum da Paralaxe não aparece, vale a pena conferir os dois primeiros trabalhos, disponíveis para download no site/blog da banda (www.bandaparalaxe.blogspot.com). * Lafaiete Junior escreve para o site Alto-Falante e é colaborador de Senhor F.

Comentário:
Anônimo disse...

Estou quase convencido que "Janine", personagem central do conto "A mulher adúltera" de Camus seja a referência direta de "Catch a Rising Star". No conto do filósofo ela enfrenta um problema complexo: seu exílio é seu próprio corpo ( e na música: "seu corpo era o seu porto um lacaniano desafio..."). Embora Janine estivesse lá (em NYC), nada se assemelhava ao que havia imaginado. Há o problema das expectativas, das esperanças sempre alardeadas por Camus... O sentimento que se está vivendo num mundo estranho, num cenário diferente do que devia ser. No conto: "Janine não conseguia se arrancar à contemplação desses fogos à deriva. Girava com eles, e o mesmo caminhar imóvel unia-a, pouco a pouco, ao seu ser mais profundo, onde o frio e o desejo agora se combatiam. Diante dela, as estrelas caíam uma a uma (CATCH A RISING STAR???), depois extinguiam-se entre as pedras do deserto; a cada vez, Janine abria-se um pouco mais para a noite. Respirava, esquecia o frio, o peso dos seres, a vida demente ou imobilizada, a longa angústia de viver e morrer. (Na música: "...virou um fluido urbano americano sem refil, morreu no fim de março sem espaço em daily news..."

sábado, 22 de agosto de 2015

Quartzo telúrico

telúrico e manteúdo nessas claustrofóficas amplidões
de sustentabilidade mineral 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Fausto Fawcett + VJ1mpar

"nada se cria, nada se perde, tudo se Transformer"


César Gilcevi, Fausto Fawcett e Fred HC
Sesc Palladium, Belo Horizonte-MG

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Soundcloud

Todos os álbuns para download e streaming:
https://soundcloud.com/paralaxebh

Pré-audição Quartzo #3

Segunda pré-audição do Quartzo lá em casa em 07/08/2015



com Thiago Pereira, Eduardo Recife, Robert Frank Fabiano Fonseca, Rafael Carneiro

terça-feira, 28 de julho de 2015

Exemplar da pré-audição #2


O disco da segunda edição está aí na foto, aguardando a finalização gráfica da gráfica.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Pré-audição do Quartzo #1 - primeiríssima!



Nesse dia Rafael já estava com as caixas da Polyssom (três caixas num carrinho de supermercado) chegadas há pouquíssimos dias. Mandamos Whatsapp pro Baiano que marcou às 18:00h no Studio Bucker em Nova Lima (Vale do Sol), depois remarcou para às 21:30. Fomos lá com os vinis recém-chegados e roupas de frio para a primeira audição. Luciana e Marina também foram. Guilherme Castro (Somba) que assina os arranjos e e Ricardo Laf (fotógrafo) também estavam lá. Guilherme, profundo entendedor de vinhos, whiskys e Fadas-Verdes nos brindou com suas composições etílicas. Foi a minha primeira vez a ouvir um vinil meu. Noite mágica! #Paralaxe10anos #Quartzo

domingo, 21 de junho de 2015

O insone da Rua Cônego Getúlio

Se você lembrasse do que eu lembro talvez me desse um alento
Se você lembrasse mais ainda do que eu não lembro
poderia me explicar teorias que eu tenho
melhoraria minha vida enquanto acordado
Sobre dias de sol e de chuva, 
sobre temporais e ruas sem nome
saí de casa e segui pela cidade pisando 
apenas num tipo de calçamento branco, 
bloco de concreto angulado que substituía o asfalto 
saí até que ele se terminasse em rua já em terra de chão
nesse ponto parei e tornei a seguir as ruas calçadas, 
dei meia volta, mas tirei os sapatos, 
faz menos barulho, está quase amanhecendo 
tornei a seguir não sem antes comtemplar aquela noite 
escura e seu fim principiado 
subi no telhado na minha casa 
e fiquei lá da manhãzinha 
aguardando o sol levantar forte
meus pais e mães dormindo logo abaixo
equilibrando, toquei violões para os vizinhos, 
pro céu e para as árvores, acho que ninguém ouviu 
as coisas são se dizem surdas enquanto falam conosco
acordei acordado, desci do telhado e sentei ao meio-fio
passei três meses sem dizer palavra, um bom tempo parado
o mundo não me apresentava possibilidades de viver na noite, somente
me decidi pela noite como extensão insone de mim mesmo
dos meus blocos de concreto anguloso roubados
voltei minha ata insana que concorda apenas com decisões tomadas

gosto de ver a chuva porque ela é sempre a mesma
é como se estivesse vendo algo que está fora do tempo
gosto de ver hoje porque nela lembranças param de ter sentido
hoje porque nos inventamos fora do tempo 
há 10 anos porque seríamos dois eventos concorrentes
há 20 anos porque já me percebia seu fascínio 
há 30 anos porque ainda estávamos nos conhecendo
e, daqui a dez anos, quando nos trataremos como milagres

O vendedor de flores de plástico (#2)

eu sei que você desconfia de mim
não é possível comércio às três da manhã
salvo por qualquer coisa que nos desfaça 
de estar dormindo ou acordado
qualquer coisa menos essas flores de plástico 
que te ofereço a um preço e um passo cifrado
faço isso não pelo adorno, mas pelo desvio 
faço isso porque mais precisam de mim
do que eu preciso
você sabe que o que eu vendo não são flores
vendo meu trabalho de estar aqui sob a noite
não sei o que você tem usado, mas tenho, imaginado
se nesse caule se escondessem acusadas poeiras, neve
me acusam de comércio de contrastes
entidades de consumo lícitas para um lado e para o outro

O vendedor de rádios de carro

andava a noite e tinha um isqueiro 
com o qual fazia sinais indecifráveis 
códigos, gírias, rádios de carro
tudo era possível de ser passado 
o sangue frio, o silêncio inflamado 
o peso do corpo que pôs sobre o capô 
abrira a porta do carro importado 
ninguém sabia o que ele queimava 
havia uma fogueira atrás da sua casa 
talvez a fumaça enviasse comandos 
nem um santo sabia o que ele ouvia 
quando estava calado ou falando 
era uma espécie de cabala mística 
feita com objetos roubados 
era uma espécie de romaria 
com gírias e gestos calculados 
tudo tinha um propósito 
era tudo de caso pensado 

sábado, 23 de maio de 2015

Bin Laden é o Bruce Wayne

Bin Laden

Bin Laden é o Bruce Wayne
você sabe disso eu sei
o taliban do Orkut, o barman em Beirute
curte o Cobain e o Leonard Cohen
depois daquela estrela já é segunda-feira
seu endereço na Praça da Bandeira
me dá corda pra essa prosa nonsense
o milionário do revange o Batman do C.I.A
e um litro de Almadén
mistura sua figura na minha cabeça
sou andarilho de Santa Tereza
me aguenta mais um pouco
falta tanto pro seu rosto desaparecer
e o que é que eu vou fazer
quando o telefone me tocar na sala
e não for o comissário e em for da Al-Qaeda
e nem for você

Bin Laden é o Bruce Wayne
você sabe disso eu sei
o Batman do Frank, o tanque ianque
tocava o Cobain também e até o Rage Against
e por ela andava a vista embaralhava
além do horizonte o front de batalha
em BH em Bagdá ou Israel
eh de viajar sobre tu piel
duas vezes antes o ctrl-alt-del
e até a Batgirl
escolhe um alter-ego nesse pulp-fiction
escolhe um gosto outro pro seu establishment
que te invento mais um rosto
que me invento mais um gosto
falta pouco pra acontecer
e o que é que eu vou fazer
quando o telefone me tocar na sala
e nem for o comissário e nem for da Al-Qaeda

e nem for você

terça-feira, 28 de abril de 2015

indo para a Polyssom


sábado, 18 de abril de 2015

Maybe Not

arm lock van gogh hegel
rock spock in turning table
just one shot the very last level
hot spot spinal shock fairy tale
maybe not

sábado, 11 de abril de 2015

Rosa Mystica


Ray


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lua Nova


então o sol me fez brilhar em tudo que ele se esqueceu
então o sol me fez o estar escuro que parece luz
e eu seria uma luz estranha a espera de um outro olhar

“e se você quiser saber pra onde eu vou” entenda:
eu vou pra onde o sol não pode estar

vem sem brilhar um brilho sem razão solar
de um espelho negro contra luz
você já sabe tanto quanto eu

que o sol não se esconde aonde eu quero estar

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Astrólogo II


ângulos descritos por impasse rápido de paralaxe
isso que você tem na mão pertence a um planeta
a hora e o desenho que enfeita o céu te configura
nada nunca deve ser feito sem a assistência da lua
ela te olha de volta com a mesma escura pergunta
enquanto mercúrio se encarrega de outras chaves
esperamos quem sabe venham em retas e curvas
a lua te olharia de volta referências desconhecidas
quanto ao sol: os planetas temem suas conjunções
meio céu descendente quadra e meia o céu inferior
o rigor dos planetas regendo suas casas angulares
cada planeta por cada afetado o quatro lar sagrado
e a casa sete me segue pelos ares parada parceira
e a casa dez de medo desiste e me segue no mundo